UNIDADES DE MEDIDA

ESMERO CONTO #4

Conversando com meu avô, percebi que com o passar do tempo criamos nossas próprias medidas, definições e classificações. Sem estudos e influências dos meios de comunicação, ele espera as chuvas com trovões de janeiro que ainda não veio.

Esse tipo de conhecimento obtido diretamente da natureza é cada vez mais raro nos dias atuais, pelo fato que existe todos os tipos de informações similares e com mais detalhes. Porém, quando esse conhecimento se concretiza, imagino eu, que a sensação de satisfação é parecida com a de uma grande descoberta científica que também só imagino.

Todos nós seguimos unidades de medidas generalizadas, impostas com um objetivo de uma maior organização e comunicação. Ao comprar um litro de leite normalmente os últimos mililitros azeda, um pão sempre endurece dentre o saco, sempre sobra café frio na garrafa. Isso tudo não ocorre quando você cria suas próprias medidas, que como mencionado, tudo ficará natural ao passar do tempo. Suas ações e atos serão moldados aos seus gostos e tudo acontecerá sem que perceba.

Dia 21 de dezembro iniciou-se o verão, que apesar do atual calor, para ele só iniciará após a última chuva desse mês. Adiantando que para ele o verão vai até as chuvas de março, que por aqui beira os últimos dias, mais de uma semana depois do final “oficial”.

Essa conversa me fez refletir sobre tais unidades de medidas relacionado com a idade, eu com vinte anos, me adaptando para não desperdiçar pão e leite e ele com quase cem anos, transladando em uma semana  a época do verão e nem aí para as explicações astronômicas comprovadas.