O POUSO DOS PASSARINHOS

HINOS DE AMBIVALÊNCIA #2

O Pouso dos Passarinhos

Haste torre,
onde pousa os passarinhos
Não sei o que faço
Tabuleiro desalmado
Há meses que não chove
Os carniceiros nem se esforçam
Eu me destruo involuntariamente.

Haste torre,
onde canta os passarinhos
O canto me atordoa
Busco um lugar mais claro
Carrego os pesos mortos,
que em outrora já foram brutos
e difíceis de domar.

Haste torre,
onde comem os passarinhos
Sinto um cheiro podre
Perdi meu cavalo,
perdi para um jogo sem inimigos
Sem estratégias e sem amigos
Já nasci condenado.

Haste torre,
onde voam os passarinhos
Derrubei a torre
Agora grito para eles
Um grito definitivo
Eles fogem, pra longe
Não vão mais voltar.

Haste torre,
onde pousa os passarinhos
Mas eles sempre voltam
Trazem consigo o verão,
Que já vinha em jejum
Esse ano vai ser difícil.
Acho que não vou conseguir.

Lucas Rodrigues

RESFRIADO

DUALIDADDE CRÔNICA #2

Resfriado

Estou sempre de sobreaviso
Avisa quando a chuva passar
Que talvez eu vá te ver

Quer saber ?
Eu vou mesmo assim…
Ou melhor
Deixa pra lá
Talvez a travessia ou a chuva
Me lembrem que não vale a pena ficar resfriado por você.

Ando sendo permeável
Permeando por outras realidades
Na tentativa de encontrar conforto em um riso simples, isso ajuda às vezes.

Mas quando baixa a energia
Emerge uma oportunidade.
É hora de acolher as fragilidades, e perceber nesse movimento quando a felicidade irá chegar.

Descobrindo então que não existe peça da parte que falta.

Marques Vinícius

VISÃO DE TÚNEL

DUALIDADE CRÔNICA #1

Visão de túnel

Antes contemplava somente a luz do sol
Com a sua beleza que ofusca olhares
e desconhecia da existência da escuridão
Antes haviam lampejos
Outrora, o nada, dando espaço para o vazio
Antes não conhecia essa tal chama
Tampouco não sabia manejá-la
Ela causava medo, ao mesmo tempo aquecia
Antes não conseguia bipedestar
Mas preferi fazer as pazes com o antes
E no aqui e agora o horizonte
Já consigo vislumbrar
E de pé, saltar
As rotas sempre estiveram ali
Diante de mim
Incontáveis,
Infinitas possibilidades
Que a escuridão não permitia enxergar
E agora? O que fazer com a manifestação da vida ?
O caminho irei trilhar
Meu próprio alimento buscar
Com a chama acesa a me guiar.
Num salto evolutivo
Na corda da vida me equilibro
E assim sobrevivo.

Marques Vinícius